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6 | Quando Davi chegou

  • Foto do escritor: Família
    Família
  • 18 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 8 de mai. de 2025

Um amor nasceu junto com ele, mesmo em meio à dor.


O nascimento de Davi foi um momento intenso, repleto de sentimentos que se misturavam no peito de Anna Júlia. Mesmo depois de uma gestação difícil, marcada por silêncios e inseguranças, o amor que ela sentiu ao olhar para o filho pela primeira vez foi imediato, silencioso e profundo.


Ela passava horas observando Davi, como se quisesse gravar cada traço dele na memória: o contorno dos lábios, o som da respiração, o olhar curioso que ia se abrindo aos poucos, revelando um tom claro entre azul e verde. Era como se ele trouxesse, em seu pequeno corpo, uma nova possibilidade de recomeço. Todos ao redor estavam curiosos para conhecê-lo. Ele era lindo — e ela sabia disso.


Mas, apesar da beleza do encontro, havia dores que insistiam em permanecer.

Anna sonhava com um parto normal, mas acabou cedendo à cesárea diante da insistência das médicas e da intensidade das contrações. Depois, veio a frustração. Sentia-se triste, com raiva. Acreditava que a cirurgia havia colocado Davi em risco — e o susto foi grande quando ele precisou ser levado à UTI com um quadro de icterícia. Ela também sentia muitas dores físicas, o corpo em recuperação, a mente em alerta.


O medo tomou espaço no lugar da confiança. Com o passar dos dias, começaram a surgir pensamentos de inadequação. Anna passou a acreditar que seu leite não era suficiente, que algo estava errado, que ela não era boa o bastante para cuidar do próprio filho. A insegurança se transformou em desespero.


Foram dois dias intensos de choro constante. Ela dizia que não conseguiria, que não era capaz. A angústia transbordava. Foi necessário buscar ajuda psicológica e psiquiátrica ainda no hospital.


Com o apoio certo, o acolhimento médico e o cuidado da família, aos poucos a intensidade da dor começou a diminuir. Depois de dez dias internada, Anna e Davi receberam alta. Ela voltou para casa com ele nos braços — e com uma nova etapa pela frente.





"Às vezes, o amor nasce junto com o medo — mas é o amor que permanece."

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